Correntes de retorno: o que são, como evitar e como se salvar
05/01/2026
(Foto: Reprodução) Corrente de retorno no mar: saiba quais as orientações dos Bombeiros
Grande parte dos afogamentos registrados no litoral do Paraná é causada por conta das correntes de retorno – fenômeno muitas vezes difícil de visualizar por quem não está habituado.
Este tipo de corrente é formada pelo retorno da água que chega à faixa de areia com as ondas – ou seja, é uma espécie de "rio", que corre no sentido inverso das ondas, pelo qual a água retorna para o mar. Elas apresentam um risco porque podem puxar o banhista rapidamente para alto-mar. Confira no esquema abaixo:
Correntes de retorno
Artes/RPC
Entre 19 de dezembro e 1º de janeiro, o Corpo de Bombeiros fez 332 resgates aquáticos no litoral do Paraná. Desses, dois estavam em grau crítico, com parada cardiorrespiratória. Três mortes foram registradas. Além disso, foram realizadas 86.408 ações preventivas – entre elas, orientações sobre segurança e prevenção de acidentes com correntes de retorno.
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Condições como mar agitado, ventos fortes e, principalmente, os períodos de lua cheia e lua nova aumentam a intensidade das ondas e, consequentemente, da corrente.
"Quanto maior a quantidade de água que chega, maior a quantidade que precisa voltar. Isso potencializa a força da corrente de retorno", explica a bombeira capitã Tamires Silva Pereira.
Neste texto você vai aprender:
Como identificar uma corrente de retorno?
O que fazer caso ficar preso em uma corrente de retorno?
Quais as recomendações do Corpo de Bombeiros para evitar afogamentos?
Como identificar uma corrente de retorno?
Correntes de retorno são uma espécie de 'rio' pelo qual a água que chega na areia retorna para o mar
David Szpilman / Sobrasa
Segundo a capitã, as correntes de retorno são naturais, podem ocorrer em qualquer ponto do litoral e podem mudar ao longo do dia. Elas são mais frequentes próximas a morros, pedras e estruturas artificiais.
Em alguns casos, é possível identificá-las visualmente.
"Normalmente, a corrente está onde não há formação de ondas. Se há ondas de um lado e ondas do outro, aquele trecho no meio tende a ser uma corrente de retorno", detalha a capitã.
Porém, nem sempre é possível contar com esta possibilidade, porque, conforme a capitã, às vezes a corrente não aparece na superfície, mas, na parte de baixo da água, ela está puxando com força.
Em caso de dúvidas, a orientação é perguntar a um guarda-vidas do posto no local onde pretende entrar no mar.
O que fazer caso ficar preso em uma corrente de retorno?
Segundo o Corpo de Bombeiros, o comportamento do banhista ao ser pego pela corrente é determinante para evitar o afogamento.
"Se perceber que está sendo puxado, acene por ajuda. Não tente nadar contra a corrente, porque ela é mais forte que você. O ideal é deixar que ela te leve e nadar paralelo à praia até sair da faixa da corrente", explica a capitã Tamires Silva Pereira.
Conforme a bombeira, é importante manter a calma, e tentar nadar para a lateral, uma vez que, normalmente, as correntes de retorno são estreitas. "Se você nadar em uma das direções, você vai conseguir sair da corrente", detalha.
Caso a pessoa saiba boiar, manter-se flutuando aumenta as chances de resgate pelos guarda-vidas.
Quais as recomendações do Corpo de Bombeiros para evitar afogamentos?
Orientação é aproveitar a praia nas áreas protegidas por guarda-vidas
Ricardo Almeida/SESP
Os guarda-vidas instalam placas ao longo da praia indicando os locais que apresentam perigo como o risco de correntes de retorno. O Corpo de Bombeiros reforça que elas devem ser respeitadas para garantir a segurança de todos.
A orientação da instituição é aproveitar a praia nas áreas protegidas por guarda-vidas que ficam entre duas bandeiras bicolores (vermelho e amarelo).
Outra recomendação é evitar consumir álcool antes de entrar no mar, pois ele reduz a capacidade de reação em emergências.
Por fim, os guarda-vidas reforçam que, caso note que alguém está se afogando, é importante acionar imediatamente um socorrista, e evitar entrar na água para tentar fazer o resgate.
"Muitas pessoas se afogam tentando ajudar outras. A forma mais segura de ajudar é acionar imediatamente um guarda-vidas em um dos postos ao longo da orla", detalha a capitã.
No caso de crianças, o cuidado deve ser redobrado. "Criança sempre deve estar no rasinho e, no máximo, a um braço de distância do adulto. Até mesmo correntes pequenas conseguem arrastar uma criança", reforça.
Recomendações do Corpo de Bombeiros para evitar afogamentos em correntes de retorno:
Procure sempre locais protegidos por guarda-vidas
Lembre-se: água no umbigo é sinal de perigo
Respeite todas as placas de sinalização de risco
Converse com o guarda-vidas para saber os pontos mais seguros para banho
Nunca nade próximo a pedras, encostas ou molhes
Mantenha crianças sempre no raso e ao alcance de um braço do adulto responsável
Evite ingestão de álcool antes de entrar no mar
Ao ver alguém em perigo, acione imediatamente os guarda-vidas ou o telefone 193
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