Donos de clínica são indiciados por desvio de raio-x de maternidade pública para usá-lo em atendimentos particulares
09/02/2026
(Foto: Reprodução) Polícia indicia quatro pessoas por desvio de Raio-X em hospital de Matinhos
A Polícia Civil indiciou quatro pessoas pelo desvio de um aparelho de raio-x de um hospital de Matinhos, no litoral do Paraná. Os indiciados são ligados à clínica privada Maxi Clinic, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, onde o aparelho desviado foi encontrado.
O aparelho, doado pelo Governo do Paraná à Maternidade Nossa Senhora dos Navegantes em 2011, era avaliado em R$ 100 mil.
As investigações começaram após uma denúncia que indicava que o aparelho havia sido retirado indevidamente da unidade hospitalar e instalado na clínica privada. Uma operação deflagrada em janeiro de 2025 recuperou o aparelho.
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Durante as investigações, a polícia identificou um esquema que envolveu duas linhas de ação criminosa: a apropriação indevida de patrimônio público e fraude em procedimentos licitatórios. Leia detalhes a seguir.
Segundo a polícia, entre os indiciados estão os dois proprietários da empresa Maxi Clinic, que deverão responder por peculato-apropriação e contratação direta ilegal.
Dois funcionários da Prefeitura de Matinhos, que colaboraram com o esquema de dispensa de licitação, foram indiciados pelo crime de contratação direta ilegal.
Máquina de raio-x desviada de maternidade em Matinhos é encontrada em clínica particular de Almirante Tamandaré
PCPR
O que dizem os citados?
A Maxi Clinic não se manifestou até a última atualização desta reportagem.
Em nota, a Prefeitura de Matinhos informou que teve atuação direta no caso, com a identificação e denúncia das irregularidades. Disse ainda que abriu sindicância interna e aguarda a decisão judicial para tomar as medidas cabíveis.
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Como funcionavam os esquemas
Segundo a polícia, em relação ao desvio patrimonial, a corporação identificou que o equipamento de raio-x foi retirado do hospital sob pretexto de manutenção emergencial no ano de 2024, durante a madrugada.
Na sequência, o equipamento foi levado à clínica privada dos investigados, onde foi localizado posteriormente em funcionamento.
A polícia identificou também que a Maxi Clinic tinha contrato com a Prefeitura de Matinhos para o fornecimento e manutenção de uma máquina de raio-x utilizada na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da cidade.
No entanto, o equipamento alugado para a UPA pertence ao município de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo a prefeitura, a máquina deveria estar em um depósito quando começaram as reformas no hospital municipal.
Conforme a polícia, o equipamento estava com os identificadores de patrimônio suprimidos. A Prefeitura de Rio Branco do Sul informou que, depois da situação, o raio-x foi doado para a Prefeitura de Matinhos.
Segundo a corporação, as investigações apontaram ainda a irregularidade na contratação direta da clínica privada, mediante uma simulação de situação emergencial a fim de justificar a manutenção do equipamento, e baseada em uma fraude nas cotações de preços.
"A pesquisa de preços que fundamentou a dispensa foi realizada exclusivamente com empresas do mesmo grupo econômico familiar, todas registradas no mesmo endereço, comprometendo a idoneidade e a competitividade do processo. O valor unitário contratado por dispensa representou quase o dobro do que era praticado anteriormente sob regime de licitação", explica o delegado Thiago Fachel.
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PCPR
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