Maior museu de arte da América Latina expande fronteiras e expõe obras junto a formações geológicas de 180 milhões de anos, no Paraná

  • 01/03/2026
(Foto: Reprodução)
Maior museu de arte da América Latina expande fronteiras e expõe obras em Vila Velha O Museu Oscar Niemeyer (MON), maior museu de arte da América Latina, expandiu as fronteiras e inaugurou uma exposição em meio a formações geológicas de mais de 180 milhões de anos no Parque Estadual Vila Velha, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. A exposição é mais uma etapa do projeto "MON sem Paredes – Arte ao Ar Livre", que começou incluindo obras de arte interativas na área externa do museu, em Curitiba. Agora, o projeto vai ainda mais longe e leva ao parque estadual novas obras. Assista acima. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Em contraste com os arenitos esculpidos pela natureza, seis obras feitas por diferentes artistas contemporâneos compõem a exposição. As peças, feitas especialmente para a exposição, dialogam com propostas de contemplação e integração ao espaço. "Todas essas obras foram feitas especificamente para este lugar. São artistas que estão pensando o que significa a narrativa de Vila Velha e o que significa estar em plena natureza", detalha Marc Pottier, curador da exposição. Kulikyrda Mehinako conecta o Xingu com Vila Velha a partir das obras "Totem.Tatu" e "Totem Urubu.Rei" Igor Jacinto/Vice Governadoria Cada um à própria linguagem "MON sem Paredes – Vila Velha" é uma exposição de longa duração e não tem previsão para ser encerrada. Ela tem conceito de Fernando Canalli, que idealizou o conceito após interpretar que "o arenito dialoga". Neste contexto, Tom Lisboa apresenta a obra "Reconstrução", feita com aço inoxidável. Uma malha de metal bem fina forma uma chama prateada, que tem como proposta, segundo o artista, capturar resíduos dos arenitos e incorporar elementos da vegetação. Como é porosa, a obra permite que o vento a atravesse e ajude a criá-la, assim como aconteceu com os arenitos. "Ela vai se transformar com o passar dos anos. Eu sei como ela está hoje, ela está prateada, ela está limpa, ela está brilhando. Daqui a pouco eu não sei como é que ela vai ficar e quero ver o que a natureza vai trazer para dentro dela", contou Lisboa ao g1. Porosa, o vento atravessa "Reconstrução", de Tom Lisboa, e ajuda a criá-la, assim como fez com os arenitos Mariah Colombo/g1 Mais histórias do Paraná: Turismo: Rochas esculpidas por 180 milhões de anos formam 'floresta de pedras' Arte: Quadro exposto em Curitiba usa fezes para discutir falsificação de obras Cinema: De penetra em festa a jogo do Athletico, veja a passagem de Coppola por Curitiba Para o artista, é um presente a coexistência da obra, produto do próprio tempo, em contraste com as formações geológicas históricas. "Vai ser bonito esse trabalho participar de um pequeno espaço de tempo, junto com esses arenitos que estão aqui há milhares de anos", compartilhou. A partir de uma proposta de contemplação, Alexandre Vogler apresenta "Maca", um trabalho baseado em "esculturas para receber o corpo". As três "macas", dispostas em um ângulo de 40º, permitem que o visitante observe o arenito. "Eu só posso ser servil a essa estrutura geológica. Eu faço com que o trabalho seja conjugado. Essa foi a minha maior preocupação: fazer alguma coisa que não competisse com o gigantismo e com a maravilha que a gente tem aqui na frente, e que pudesse estar associado a ele, não em confronto. Acho que esse foi o maior desafio", afirmou. Macas de Alexandre Vloger propõem a contemplação do arenito, em função servil à contrução natural Fábio Ângelo Santos/RPC Em consonância, Denise Milan idealizou "O Vazio e a Pedra". Segundo a artista, a intenção é propor, a partir da obra, um novo olhar e uma nova perspectiva para o visitante. "É um olhar que participa da criação. Isso passa a ser uma chave e uma fechadura para os mistérios que essa grande pedra nos conta", detalhou Milan. Denise Milan propõe um novo olhar e uma nova perspectiva para o visitante Denise Milan/Divulgação Em uma obra horizontal, rente ao chão, na qual as peças se unem por compatibilidade, como em um quebra-cabeça, Sonia Dias Souza levanta uma reflexão sobre os limites da ação humana frente à natureza. A obra leva o sugestivo nome de "Anathema", palavra com origem no grego antigo que assumiu o significado de algo abominável, detestado ou rejeitado. Em nível religioso, classifica a forma mais severa de excomunhão. A artista, porém, defende uma reflexão para além de qualquer um desses limites. "É um lembrete – nada moral, nem religioso, apenas ético, – do lugar do homem no planeta, e das condições que ele deve seguir para sobreviver, como um dos elementos dessa rede viva", propôs Dias. Sonia Dias Souza levanta uma reflexão sobre os limites da ação humana frente à natureza Igor Jacinto/Vice Governadoria Kulikyrda Mehinako conecta o Xingu com Vila Velha a partir das obras "Totem.Tatu" e "Totem Urubu.Rei", feitas em madeira piranheira, urucum, carvão, resina de ingá e concha de caramujo. A exposição conta ainda com a obra "Imaginei um Vento Pintado" de Gustavo Utrabo, que utilizou vidro laminado sobre uma estrutura metálica. O que parecem grãos de areia vermelha, como os arenitos, são mesclados com o vidro, em um grande contraste de material e matéria. Por meio de dicotomias, "MON sem Paredes – Vila Velha" revela que a única certeza é a incerteza. Sugere ainda uma reflexão sobre o tempo e a efemeridade do que somos ou podemos ser, e a nossa posição frente ao eterno. "Imaginei um Vento Pintado" de Gustavo Utrabo utilizou vidro laminado sobre uma estrutura metálica Gustavo Utrabo Descentralização da cultura Ao romper os limites físicos do museu, o projeto "MON sem Paredes – Arte ao Ar Livre" promove a descentralização do acesso à cultura. "Quando levamos obras de arte até onde está a população, além de sensibilizarmos o grande público, que talvez não tenha o hábito de entrar num museu, oferecemos um ambiente de pausa, de desaceleração, de reconexão interior", detalhou a diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika. Com a nova fase, em Vila Velha, a instituição também integra a arte ao patrimônio natural e território. Segundo Vosnika, há ainda a previsão de uma nova fase da mostra, com mais seis obras em outros pontos do parque. Museu Oscar Niemeyer fica em Curitiba Mariah Colombo/g1 VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2026/03/01/mon-vila-velha-exposicao-parana.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Anunciantes